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28 março 2010

expectativas

Criar expectativas é uma merda.
(Diria até que uma graaaande merda.)
Porém - e infelizmente - inevitável...

(por Wyborowa)

16 novembro 2008

ânsias

Anseio tanto, tanto
Que o desejo me arrasta
Para uma emboscada
Antes que eu consiga encostá-lo um dedo
Ou sequer mirá-lo nos olhos.
Entrego-me inocentemente
E a agonia da impossibilidade
Embrulha-me o estômago num enjôo doído
De convulsões interiores
Perigos iminentes
Irracionalidades
E lágrimas que se cansaram de cair.

(Além disso,
Tenho um pé que se mexe independente da minha vontade
Até dormindo
A minha insatisfação se manifesta.)

É uma agonia diária
Um desespero sistemático
Uma impaciência que não termina nunca
Um desacordo perpétuo
Um incômodo permanente
Uma sensação de ser inadequada
Que me imobiliza
Me desarma
E me dói.

Eu não sei explicar isso para as outras pessoas.

Parece que falo demais, que reclamo demais, que sou exigente demais, ou mesmo arrogante demais, mas isso vem de uma força maior, cerebral, que apesar de dentro de mim, não consigo controlar sozinha. É impossível, sem me conhecer, que um outro não me ache tranqüila o suficiente para estagnar de bom grado e sem sofrimento algum; acorrentar-me, alegre e solícita, a qualquer pé de mesa de repartição pública, sem mais nada querer além de uma bola de ferro bem pesada que garanta o meu lugarzinho no céu. Meu emprego seguro me lançou um olhar de Medusa e agora estarei ali, petrificada por vinte e cinco anos? Isso me dá ânsias de vômito.

A propósito, o amor também.

Já chego a ter horror dele, o que é bom, porque me ajuda a não me apaixonar mais. Ultimamente, essa fobia de amor me tem sido protetora. É que não sei lidar com ele. Minha ignorância sentimental é infinita. Sou de uma inabilidade a toda prova. E estou certa de ser incompetente para amar quem quer que seja (sem dramas; é a pura constatação da realidade). Não entendo bem o que acontece, qual é o meu defeito fundamental, que não sei me fazer amada – esse é o grande mistério da minha vida! Aliás, permeio uma contradição peculiar: no namoro, quando tento ser boa, pareço ruim, e quando consigo ser ótima, me torno pior ainda. Pelo menos hoje tenho consciência de tudo isso, o que é bom, porque cada nova lapada vem seguida de menos e menos dor. Eu sei que um vai dizer “é assim com todo mundo”. Mas eu já vivi o suficiente para dizer com toda a certeza que “não é não.” Tenho 38 anos e sou completamente só.

As náuseas disparam contra mim.

Escrevi roteiros que nunca vou filmar. Comprei livros que nunca li (será que ainda vou ler?). Gastei dinheiro com roupas que só usei uma vez. Preencho páginas e páginas de documentos do Word que não publico. Tenho tintas, telas, pincéis, lápis, um bom traço, mas não me dedico a pintar. Crio idéias e teses que que não se tornarão um mestrado. O inconformismo esbarra na falta de disposição para tudo e assim... Paro.

Estou com insônia de novo. Acho que a noite vai ser longa. E minhas ânsias, intermináveis.

(por Wyborowa)

20 agosto 2008

P.A.

Meu P. A. é lindo. Engraçado, inteligente e não precisa quase nada pra ele ficar loucamente saliente. Como se não bastasse, ainda é o maior - disparado - de todos os que já vi na vida: o almejado tripé. Chego a me sentir privilegiada e fico feliz (mesmo) em poder compartilhar essa magnitude (apesar de ter certeza de que não sou a única consumidora satisfeita). Acho que, se não fosse por ele hoje, nem sei o que seria de mim e de toda a minha volúpia enrustida. Tenho sexo sempre que preciso. De qualidade e gratuito.

Mas, sinceramente, não sei o que fazer com o amor. E na verdade, isso é o que me dói.

(por wyborowa)

06 agosto 2008

Igual

Medito, emagreço, danço
Viajo, acordo, trabalho
Mas é só aparecer uma situaçãozinha difícil
Olha eu aí, tal e qual sempre!
Desarvorada, chorona, ansiosa, preguiçosa
Distraída, desesperada, desiludida
Perdida, perdida, perdida

(por erva venenosa)

06 junho 2008

amor, essa palavra horrível

Eu gosto dele. Gosto do cheiro, dos olhos verdes, do beijo (o melhor do mundo). Adoro o fato de ter que ficar na ponta dos pés para beijá-lo (uma sensação muito nova para mim). Ele me toca como ninguém fez antes. Ri fácil. E sabe dançar muito bem.

Mas ele não quer compromisso. A gente namora e não pode falar que é namoro (essa palavra tem o peso de um tabu). A gente ama e não pode dizer que ama (porque esses domínios do amor significam vínculos). Aliás, a gente não discute a relação porque não discute absolutamente nada que possa trazer sequer uma brisa desses assuntos de casal. Eu sinto que qualquer palavra mal interpretada vai levá-lo embora. E assim vou vivendo algo que na maioria das vezes me faz feliz, mas não posso (ou me impedem) de definir.

Aí vão me perguntar: "definir pra quê"? E eu respondo: pra saber o que fazer quanto ao cara inteligente (e lindo) que fica me assediando pela internet, ou sobre a tristeza por não ter sido convidada para a festa de aniversário da mãe dele, ou se posso ter a segurança de pedir pra que ele seja meu acompanhante na ida à endoscopia. Para ter o aconchego de pensar junto, planejar viagens malucas e cinema no fim-de-semana. Ou, ao contrário, tocar a minha vida tranqüila, sabendo que não vai ser no plural. E assim ter a liberdade de continuar a minha procura, independente de toda a beleza e sintonia do que a gente vive agora (não posso chamar de amor, que é uma palavra horrível).

Desabafei. Era isso o que eu precisava dizer.

(por wyborowa)

19 fevereiro 2008

roendo quina

Eu preciso dar!
E como se essa só necessidade não fosse suficientemente difícil de resolver,
Precisa ser com uma figura específica.
Se não, ocorre o que já foi há um tempinho atrás.
Um momento sem sal da minha vidinha de solteira.
Desencontro que só foi válido pra eu me dar conta que - é -
sou romântica mesmo.
Sexo com amor é muuuito melhor.
E depois que você experimenta, meu bem - difícil passar pro arroz com feijão light sem fazer cara feia e continuar com fome.
Nada contra, aliás, tenho até pontadinhas de inveja das garotas ultra-resolvidas
- não esperam roer a quina, resolvem no bar, na festa, no show -
ô, se eu fosse assim...constantemente desapaixonada por todo mundo...
Xô mudar pra outra quina que essa aqui já tá redonda, peraí...

(por erva venenosa)

26 novembro 2007

sexo e solidão

que merda é essa?
até masturbação hoje em dia acaba em choro, porra!

(por erva venenosa)

21 outubro 2007

Incômoda

Quando dirijo, torço para não ter ninguém na faixa de pedestres
É que detesto ser aquela que pára o trânsito
Quando sou pedestre, rezo pra chegar na faixa e não ter carro nenhum
É que fico péssima de parar 2, 3 carros pra eu atravessar

Me apresso no caixa do mercado
É que fico constrangida de fazer a outra pessoa esperar eu pegar a carteira, o cartão, arrumar os saquinhos...vou fazendo tudo de uma vez, pra não atrapalhar

Chego mais cedo sempre
Não consigo pensar em alguém me esperando chegar por 2, 3 minutos sequer

Tenho uma dificuldade enorme de pedir favores, ajuda, um help qualquer
Fico vermelha só de pensar na situação de ter alguém esperando por mim

E não ligo nem para os melhores amigos sequer pra pegar um cinema
Temendo um momento errado ou ser indesejada por um motivo qualquer

Subo as escadas do prédio com os tamancos na mão
Detesto pensar que fui eu que acordei a vizinha insone

Minha porta não range, minha chave, eu dou uma volta só
Pra ser rápida, silenciosa, invisível

Estaciono meu carro apertado nas vagas
Pra sobrar lugar pro próximo que ainda virá

Espero os outros se servirem
E minto que estou sem fome
Se vejo pouca comida
E muita gente

Num grupo de pessoas
Tombo sempre pro lado com menos adeptos
Na esperança de criar com eles, um elo qualquer

Me anulo
Me antecipo
Me isolo
Porque acho que incomodo

E à noite no escuro, sozinha no quarto
Me pergunto se alguém
Faz isso por mim também

(escrito por Erva Venenosa)

28 setembro 2007

por quê?

Será que alguém pode me explicar
Por que será que todos os homens sensíveis e legais,
Os mais atenciosos e perfumados,
A maioria dos lindos e educados,
Muitos dos que eu amo demais...
São gays?
Por quê? Por quê? Por quê?

(por Wyborowa)